O PL das “Fake News”
15 de maio de 2023
Velhos tempos, belos dias
20 de agosto de 2023
Exibir Tudo

Um idealista e sua história

No começo de 1980, o grupo de jovens de Água Branca, ao qual eu acabava de me integrar, decidiu lançar um jornalzinho mimeografado.

À época com 18 anos, cursando o Ensino Médio em Teresina, na Escola Técnica Federal do Piauí (hoje IFPI), passei a ser o redator do jornalzinho.

Quando foi aí pelo mês de junho daquele ano, uma bomba caiu sobre nós: o prefeito baixou um decreto municipal determinando o fechamento do nosso jornal, intitulado “O Águia”.

Isso porque, inocentemente, publicamos uma notinha sobre a falta de material para expedição de carteira de reservista na Junta Militar, que funcionava dentro da prefeitura.

Ficamos desorientados diante da decisão do prefeito. Procurei o presidente do Clube do Repórter do Piauí, em Teresina, e ele prontamente divulgou uma nota oficial denunciando a censura.

O episódio obteve ampla repercussão em Água Branca e em todo o Piauí.

O Clube do Repórter era presidido pelo jornalista Francisco Leal, meu conterrâneo.

Outros dois aguabranquenses de projeção estadual nos acudiram naquele momento, ambos professores e ex-diretores do Ginásio Dom Severino, onde todos do nosso grupo de jovens haviam estudado ou estudavam.

Nosso ginásio integrava a rede da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), o maior movimento de educação popular do Brasil em todos os tempos.

A defesa

Pois bem. Um desses ilustres conterrâneos era o secretário estadual de Administração, Leocádio Melo, e o outro o advogado Manoel Carvalho de Oliveira.

O primeiro nos deu apoio moral e também material, doando-nos um mimeógrafo, tinta e papel para as tiragens de nosso jornalzinho.

O segundo colou-se à nossa disposição para nos defender judicialmente, se fosse necessário.

Também mandou publicar um anúncio de seu escritório de advocacia no jornalzinho – mais para mostrar que estava do nosso lado do que para fazer propaganda, da qual não precisava.

E foi aquele apoio que, sem dúvida, me encorajou a abraçar, em seguida, a profissão de jornalista. Sem ele, provavelmente eu teria seguido outro rumo.

Lançamento

Ontem (29/07), participei, com muita alegria, do lançamento do livro “A história de um idealista”, autobiografia do professor e advogado Manoel Carvalho de Oliveira.

A obra foi lançada na Câmara Municipal de Água Branca. Tive a honra de apresentá-la como ex-cenecista e ainda como presidente da Academia Piauiense de Letras.

Estiveram presentes familiares, professores e amigos do autor, entre outros convidados.

O livro conta a trajetória profissional de Manoel Carvalho de Oliveira desde o seu nascimento, em Água Branca, em 25 de março de 1941; suas incursões pelo comércio, ainda muito jovem, e, mais tarde, o exercício do magistério e da advocacia.

Como educador, ele dedicou quase 30 anos à Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, a partir da inauguração do Ginásio Dom Severino, em meados da década de 1960.

Foi também administrador estadual da CNEC, em várias ocasiões, e assessor da direção nacional da instituição.

A Campanha manteve mais de 100 escolas comunitárias no Piauí durante mais de três décadas.

As escolas da CNEC chegavam aonde o poder público não chegava, uma realidade que mudou a partir da década de 1990.

Escola modelo e Projeto Minerva

No início da década de 1970, o professor Manoel Carvalho foi diretor do Colégio Estadual Lourival Parente, em Teresina.

Ele transformou a escola, recém-inaugurada, em uma das principais do Piauí no período.

Em seguida, foi coordenador estadual do Projeto Minerva, instalando-o em mais de 70 municípios dos 114 então existentes.

O Projeto Minerva foi uma iniciativa pioneira de educação à distância, com aulas transmitidas pelo rádio. Durou de 1970 a 1989. O modelo criado pela experiência deu origem a outros projetos de educação de massa.

O professor exerceu também cargos de direção na Secretaria Estadual de Educação.

Anos idos e vividos

Como advogado, foi um dos idealizadores da instalação da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Água Branca.

Esta Subseção foi inaugurada em 2004, pelo presidente do Conselho Federal da OAB, Roberto Busato, e pelo então presidente da OAB-PI, Álvaro Mota.

Manoel Carvalho, hoje com 82 anos, é procurador do Estado aposentado.

Durante o lançamento, ele externou sua alegria pela minha presença na solenidade como presidente da Academia Piauiense de Letras.

Não posso negar que me emocionei na ocasião, no reencontro com tantas pessoas queridas e com as memórias dos anos vividos em Água Branca.

Parabéns ao professor Manoel Carvalho de Oliveira pelo seu livro, que conta não apenas a sua trajetória pessoal e profissional, mas traz tantas e gratas evocações de nossa terra e de nossa gente!

Lançamento da autobiografia de Manoel Carvalho em Água Branca.

Sessão de autógrafos.

Com dona Cristina Macedo, minha professora de História no Ginásio Dom Severino.

Com Milton Floriano Siqueira, fundador do primeiro jornal de Água Branca, no início da década de 1970.

Com a professora Francilene Tavares Sales, minha prima.

Com Fernando Leite, ex-vereador de Água Branca.

Com Regina, minha esposa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *