A campanha eleitoral de 1986 em cordel
Publiquei meu primeiro livro, “Falem mal, mas falem de mim” (humor político), em 1989.
No entanto, minha estreia no mundo das letras se deu antes, em 1986, com a publicação do cordel “Vote lá, que eu voto cá”.
Como se diz na linguagem do cordel, era uma “peleja”, escrita a quatro mãos com o jornalista Raimundo Cazé, de saudosa memória.
A propósito, Cazé foi um dos primeiros jornalistas com quem fiz amizade quando cheguei à redação do jornal O DIA, em 1980, aos 18 anos de idade.
Outro que imediatamente se tornou meu amigo foi o jornalista e humorista Deusdeth Nunes, o Garrincha.
O que me aproximou desses dois profissionais de imprensa, já à época renomados nomes do jornalismo, foi justamente a literatura de cordel.
Ambos escreviam cordel e me identificaram também como autor desse gênero poético.
E fizemos muitos versos e repentes, geralmente com gracejos, que se perderam no matraquear das máquinas de escrever da redação do jornal.
Com o Cazé escrevi e publiquei ainda outra peleja, “Fique lá, que eu fico cá”, em 1992, sobre a proposta de divisão do Piauí, para criação do Estado do Gurgueia, apresentada pelo deputado Jesualdo Cavalcanti.
Está claro que os títulos que demos aos dois cordéis foram tirados do clássico “Cante lá, que eu canto cá”, do poeta Patativa do Assaré.
Alberto x Freitas, um Fla-Flu
Pois bem! O cordel que escrevemos em 1986 foi sobre a eleição estadual daquele ano, um verdadeiro Fla-Flu da política piauiense.
Em 1986, o Governo do Estado foi disputado pelo senador Alberto Silva (PMDB/PDS), o deputado federal Freitas Neto (PFL/PDT) e o médico Nazareno Fonteles (PT).
A campanha ficou bipolarizada entre Alberto e Freitas e tornou-se a mais acirrada da história do Piauí depois da redemocratização.
Ao final, o candidato da oposição, Alberto Silva, venceu o pleito por uma margem apertadíssima: 49,55% contra 47,89% dos votos. Ou seja, apenas 1,66 de vantagem. Naquela época ainda não havia segundo turno.
Como adotamos o estilo “peleja”, eu defendia o candidato Alberto Silva e Cazé defendia Freitas Neto.
Também retratamos os bastidores da campanha, as contradições dos líderes, as alianças inesperadas, as propostas dos candidatos e os ataques nos palanques.
Nosso cordel, com 79 estrofes, com troca de farpas, saiu em outubro e a eleição foi em 15 de novembro.
Já voaram 40 anos!

Página da peleja “Vote lá, que eu voto cá”

No cordel, os perfis biográficos dos autores.