Crônicas

Comentário a respeito de Belchior

(Publicado em 26/10/2026)

Quando fui secretário de Comunicação do prefeito Firmino Filho, entre janeiro de 1997 e março de 1999 – portanto, em seu primeiro mandato –, de vez em quando tomávamos o café da manhã no Luxor Hotel, perto do Palácio da Cidade.

Já era um hábito que cultivámos desde quando havíamos chegado à Prefeitura de Teresina, em 1993 – eu como secretário de Comunicação e ele como secretário de Finanças do prefeito Wall Ferraz.

Esses encontros se prolongaram durante o mandato do prefeito Francisco Gerardo, de quem também fomos secretários – ocupando as mesmas pastas – no período de março de 1995 a dezembro de 1996.

Também costumavam participar desses cafés os secretários Romildo Mafra (chefe de Gabinete) e Kleber Montezuma (Trabalho e Ação Social e, depois, de Habitação e Urbanismo).

Retrato 3×4

Certa manhã, estávamos no café do Luxor apenas o prefeito e eu, quando notei sentado a uma mesa do salão um cidadão reservado com a cara, a cabeleira e o bigode do cantor Belchior.

Era tanta a semelhança que só podia ser ele. E era!

O prefeito e eu continuamos nosso café e nossa conversa e o cantor também seguiu tomando o dele, com discrição.

Quando íamos sair, fui até à sua mesa, pedi licença e me apresentei. Apresentei também o prefeito.

Ele se mostrou impressionado com a juventude do prefeito de Teresina, à época com 33 anos.

Estávamos no começo de 1997, no início do mandato de Firmino, e lembro perfeitamente que, após os cumprimentos, o prefeito deu as boas-vindas a Belchior, conversamos um pouco, muito pouco, e na despedida o cantor gentilmente nos convidou para seu show à noite, no Atlantic City.

O prefeito não pode ir, mas fui com o professor Kleber Montezuma. Um belo e memorável show acústico!

80 anos

Trago estas lembranças a propósito da passagem, hoje (26/10), dos 80 anos do nascimento de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes -, o Belchior.

Como ele própria dizia, em tom de brincadeira, o “maior nome da MPB”.

Entre os seus maiores sucessos, estão: Apenas um rapaz latino-americano, Como nossos pais, Mucuripe, Divina Comédia Humana, Tudo Outra Vez, Comentário a Respeito de John, Coração Selvagem, Medo de Avião, Galos, Noites e Quintais, Paralelas, Fotografia 3×4, Velha Roupa Colorida, A Palo Seco, Pequeno perfil de um cidadão comum, Na Hora do Almoço…

Seu álbum Alucinação, de 1976, é considerado pela crítica musical como um dos mais revolucionários da história da MPB e um dos mais importantes de todos os tempos para a música brasileira.

Fora dos palcos

Após décadas de carreira, o cantor faleceu em 2017, aos 70 anos, no Rio Grande do Sul, vitimado pelo rompimento de um aneurisma na aorta.

Nos últimos anos de vida, Belchior supostamente desapareceu por duas vezes, tendo sido, por fim, encontrado no Uruguai.

Nesse período, o cantor passou por uma sucessão de momentos difíceis, deixando dívidas, morando de favores e passando por privações.

Do casual, fugaz e único contato pessoal que tive com ele guardo a lembrança de um homem simples, simpático e gentil.

Sem dúvida, esta data não passará em brancas nuvens, pois Belchior, um dos artistas de minha predileção, será celebrado sempre, com justiça, pela sua vasta e densa obra como cantor, compositor, músico e poeta.

Um legado que vem sendo descoberto e aplaudido pelas novas gerações e que seguramente vai correr os tempos.

Viva Belchior!

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