
Zuenir Ventura, Cidadão Piauiense
23 de setembro de 2026Roberto Müller, a voz que fica
Capa de um dos últimos discos de Roberto Müller/Reprodução.
Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974), autor de letras imortais do cancioneiro popular brasileiro, ouviu suas canções nas vozes de grandes intérpretes: Francisco Alves, que cantou Nervos de aço; Orlando Silva (Brasa e Basta); Linda Batista (Vingança), Nelson Gonçalves (Cadeira vazia, Nunca, Vingança), Elza Soares (Se acaso você chegasse), Caetano Veloso (Felicidade), Paulino da Viola (Nervos de aço), entre outros.
Aos ouvidos do compositor, porém, o maior e melhor intérprete de suas músicas era Roberto Müller. E foi agradando aos ouvidos de Lupicínio Rodrigues e de tantos outros brasileiros que o cantor gravou 50 LPs e 15 CDs ao longo de uma carreira de mais de meio século de estúdios e palcos, ganhando seis discos de ouro.
Nas décadas de 1960 e 1970, sua voz ganhou o Brasil e vários países da América Latina; nas décadas seguintes, foi perdendo espaço e, por fim, foi silenciando, nos últimos anos.
Ele sofreu três Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). O primeiro foi em 2009. Os demais vieram em seguida. Sofreu ainda um infarto. Também foi acometido do Mal de Alzheimer.
Com as complicações da saúde, o artista foi piorando e passou a viver em estado vegetativo e em extremas dificuldades financeiras.
Hoje (24/09), as luzes se apagaram e as cortinas da vida se fecharam para Roberto Müller. Ele faleceu aos 89 anos, em Recife, onde morava há mais de 30 anos.
Do Piauí para o sucesso
Roberto Müller nasceu em Piracuruca, em 1937, e jovem ainda deixou a cidade natal. Ele foi morar em São Luís, onde iniciou sua carreira artística na Rádio Timbira, em 1955.
No início da década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde encontrou o sucesso ao gravar a música Nunca Mais Brigarei Contigo, em 1963.
Ao final dos anos 1960, ganhava do animador Chacrinha, na TV Tupi, o título de Pingo de ouro do Brasil. Foi no Programa do Chacrinha também que ele recebeu o primeiro disco de ouro, com Agnaldo Timóteo e Jerry Adriani, de quem foi amigo.
Muitas das músicas que gravou tiveram arranjos de ninguém menos que o maestro César Guerra-Peixe.
O artista que conheci
Conheci Roberto Müller no início da década de 1980, quando me iniciava no jornalismo.
Fui destacado para entrevistá-lo na redação do jornal O DIA. Ele estava em companhia do cantor Luiz Carlos Magno e fazia uma temporada de shows no Piauí.
Desde então, sempre que estava por aqui, fazia-me uma ligação ou visitava-me na redação do jornal. Sempre muito atencioso e educado.
Nas últimas visitas, já no Diário do Povo, vinha na companhia da compositora Dagmar Pereira, sua empresária e depois sua mulher. Ela esteve ao seu lado nos últimos anos, cuidando dele com carinho.
O sucesso mais popular de Roberto Müller é Entre espumas, mas gosto particularmente da canção Cidade Verde do meu Brasil, dedicada a Teresina e gravada 1976.
Com o seu silêncio, o Brasil perde um dos últimos artistas da era romântica do rádio e o Piauí, particularmente, a sua primeira referência no cenário artístico nacional.
Descanse em paz, grande Roberto Müller!
Ouça a música Cidade verde do meu Brasil:

