
NAS ONDAS DO RÁDIO (9) – Os cantores da Difusora
26 de setembro de 2026Há uma semana, o Piauí perdia a figura mais emblemática do showbiz local de todos os tempos, o empresário Raimundo Ribeiro Magalhães, o Magalhães dos Cartolas.
Ele saiu de cena, aos 85 anos, como sempre viveu: de forma discreta, no começo de um grande espetáculo – as eleições gerais de 4 de outubro.
Aliás, eram duas as suas grandes paixões: a música e a política.
A missa de sétimo dia em intenção de sua alma será celebrada neste sábado, às 9 horas, na Capela de São Sebastião (Polícia Militar), na Avenida São Raimundo, no bairro Cristo Rei.
O maestro Rocha Santos sintetizou, em crônica publicada nas redes sociais, no dia de seu falecimento, a importância de Magalhães para a cultura, o showbiz e a profissionalização artística.
Basta lembrar que ele foi o responsável, entre outros, pelos shows de Roberto Carlos e da orquestra de Ray Conniff em Teresina.
Para uma pessoa como Ribeiro Magalhães, empreendedor pioneiro e correto em seus negócios, sempre sereno e acolhedor, o show da vida nunca vai acabar. Ele viverá nas lembranças alegres e gratas dos que tiveram o privilégio de conviver com sua personalidade ímpar.
Reproduzo, a seguir, a crônica do maestro Rocha Santos em homenagem a Magalhães, grato também pela amizade sincera que me dedicou ao longo de décadas:
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MAGALHÃES E A MEMÓRIA DE UM PIONEIRO DO SHOWBIZ PIAUIENSE
Maestro Rocha Santos (*)
A partida de Raimundo Nonato Magalhães Ribeiro, o icônico Magalhães Ribeiro, marca um momento de reflexão e luto para a cultura e para o mercado do entretenimento no Piauí e em toda a região Nordeste.
Ao longo de décadas, a atuação do empresário artístico transcendeu o mero agenciamento de eventos, transformando-se em um pilar fundamental para a integração do estado na rota dos grandes espetáculos nacionais e internacionais.
Em uma época na qual a infraestrutura para grandes produções no interior do Brasil enfrentava enormes desafios logísticos e operacionais, Magalhães Ribeiro assumiu um papel de vanguarda.
Sua visão empreendedora permitiu que o público piauiense tivesse acesso direto a ícones da música, trazendo para os palcos locais apresentações históricas, como as do cantor Roberto Carlos e da orquestra de Ray Conniff.
Essas produções não apenas movimentaram a economia local e o setor de serviços, mas também democratizaram o acesso à cultura em grande escala.
Além do impacto gerado pela atração de grandes nomes de fora, a trajetória de Magalhães Ribeiro foi profundamente marcada pela valorização da experiência musical coletiva e da tradição dos bailes.
À frente de formações renomadas, como Os Cartolas e a Orquestra Transamérica, ele ajudou a moldar a vida social e afetiva de diversas gerações. Os bailes promovidos por ele deixaram de ser apenas eventos de lazer para se tornarem patrimônios da memória cultural de Teresina e de cidades vizinhas.
O legado deixado por Magalhães evidencia como o trabalho técnico e estratégico dos bastidores é indispensável para o fortalecimento da identidade cultural de uma região.
Sua paixão pela música, somada à capacidade de gestão e ao dinamismo empresarial, consolida um modelo de dedicação e profissionalismo que se perpetua no ecossistema cultural e no trabalho de seus sucessores.
Sua trajetória permanece como um capítulo definitivo na história dos grandes espetáculos no Piauí.
Vá em paz, meu irmão. A música que você semeou continuará ecoando em cada nota que tocarmos. Nossa arte se despede em silêncio, mas profundamente grata, aplaudindo sua linda jornada e seu amor incondicional à música.
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(*) Professor, maestro e militar, graduado em História e Música.

