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16 de abril de 2026
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O FOQUINHA (35) – Passando fome (2)

Editor Francisco Leal, coronel Octávio Miranda, major Osires, governador eleito Hugo Napoleão, Aluízio, Trabulo e o autor, na redação do jornal O DIA, em dezembro de 1982/Imagem: Acervo do autor.

Bem, como eu contava domingo passado, viajei para o interior do Piauí, no começo de 1983, integrando a equipe da Secretaria de Comunicação.

O governador Hugo Napoleão tinha compromissos em três municípios no mesmo dia.

Dom Expedito Lopes, à margem da BR-316, na região de Picos, era a primeira cidade que receberia o governador para uma inauguração, marcada para as 10 horas.

Todos ficamos à espera da comitiva governamental. O tempo avançava e o governador não chegava.

O prefeito Francisco Gonçalves dos Santos (PDS), mesmo diante do adiantado da hora, não quis servir o almoço nem danado. E a gente lá, varado de fome.

O prefeito tinha certa razão, pois o governador poderia chegar a qualquer momento, e a etiqueta recomenda que o almoço não seja servido antes da chegada do convidado principal.

Não havia ainda a facilidade de comunicação dos dias de hoje. Nem Dom Expedito Lopes dispunha de um restaurante, por mais modesto que fosse.

O fato é que o governador só chegou à cidade no meio da tarde.

Tocando em frente

Como Hugo Napoleão tinha pressa para cumprir mais dois compromissos ainda naquela tarde, mal deu por inaugurada as obras de Dom

Expedito Lopes e tocou para Elesbão Veloso, para outra inauguração.

De lá, já no começo da noite, seguimos para Amarante, por uma estreita estrada de piçarra, passando por Francinópolis, para a inauguração da Rádio Cultura, do deputado Afrânio Nunes.

Após a cerimônia de entrega oficial de sua rádio, o deputado ofereceu ao governador e à sua comitiva um lauto banquete. Para nós, valeu por almoço e janta, depois de um dia inteiro de muita fome.

O governador Hugo Napoleão, sempre pontual nos compromissos do Estado, com os pagamentos rigorosamente em dia, do começo ao fim do mandato, era, no entanto, um contumaz atrasador de solenidades.

Aliás, durante 40 anos de militância diária no jornalismo, só conheci dois governadores que não atrasavam solenidade: José Raimundo Bona Medeiros e Regina Sousa.

O fato, porém, é que o governador Hugo Napoleão, hoje querido e estimado confrade da Academia Piauiense de Letras, ficou me devendo essa, que ele já pagou há muito tempo com reiteradas demonstrações de apreço, consideração e respeito. Inclusive, foi meu eleitor quando me candidatei à APL.

Com Hugo Napoleão na redação do Diário do Povo, em 4/2/2015/Imagem: Acervo do autor.

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