O FOQUINHA (40) – Jornalistas dos anos 80
24 de maio de 2026
Exibir Tudo

O FOQUINHA (EXTRA) – “Tribuna do Povo”, um jornal valente

Uma das edições da "Tribuna do Povo". Imagem: Reprodução

Meu plano era começar a falar hoje sobre minha experiência no rádio, iniciada em 1981, um ano depois que ingressei no jornalismo impresso.

Mas não posso seguir adiante sem escrever sobre a Tribuna do Povo, um jornal quer impactou a imprensa do Piauí entre o final da década de 1970 e o início da seguinte.

Passarei a escrever sobre o rádio piauiense a partir do próximo sábado, sempre aos sábados.

Jornal de oposição

A Tribuna do Povo foi fundada em 1979 pelo grupo político do senador Alberto Silva, que fazia oposição no Piauí ao esquema liderado pelo senador Petrônio Portella e o governador Lucídio Portella.

Alberto Silva era censurado nos veículos de comunicação então existentes no Estado – rádio, jornal e TV –, todos alinhados ao Palácio de Karnak.

O senador oposicionista, então filiado ao PP (Partido Popular), recém-fundado e liderado nacionalmente por Tancredo Neves, decidiu criar seu próprio jornal para dar voz à oposição e às suas próprias bandeiras.

Alberto figurava no expediente como diretor-responsável, o jornalista Tomaz Teixeira, seu fiel escudeiro, era o diretor-administrativo e o jornalista Deocéclio Dantas, deputado estadual, era o redator-chefe.

Contagem regressiva

Sua sede ficava em um prédio de dois pavimentos situado na Avenida Miguel Rosa, cruzamento com a Rua Pires de Castro.

O parque gráfico era modesto. Composto ainda pelo sistema tipográfico, letra por letra. A velha impressora era quase artesanal.

Ao lado da logomarca vermelha, a Tribuna trazia a contagem regressiva para o fim do governo Lucídio Portella:

CALMA PIAUIENSES! Só faltam _ _ _ dias para livrarmo-nos das garras da nefasta oligarquia. 82 vem aí”.

O jornal era aguerrido. Saía às segundas-feiras. Formavam-se filas nas bancas das Praças Pedro II e Rio Branco para adquiri-lo.

As manchetes eram escandalosas e mexiam com o espírito oposicionista dos piauienses, especialmente os teresinenses.

Atentando e o fim do jornal

Aí por volta de 1981 houve uma explosão na sede do jornal, comprometendo todo o seu parque gráfico. Os tipos voaram pelo ar. O episódio foi dado como um atentado.

O jornal voltou a circular dias depois em tamanho reduzido. Voltou menor e ainda mais valente.

A Tribuna nasceu para combater o governo e se acabou quando Alberto Silva retornou ao poder, pelo voto popular, em 1987.

Seu grupo tinha pela frente outros desafios além dos de manter um jornal em circulação.

Capa da Tribuna do Povo, jornal que marcou época na imprensa do Piauí.

Comments are closed.