O FOQUINHA (34) –  Passando fome
12 de abril de 2026
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A volta de Chico Buarque a Cuba

Chico Buarque com artistas cubanos em Havana.

Houve grande repercussão, nas mídias sociais, sobre a recente viagem que o cantor e compositor Chico Buarque fez a Cuba, na semana passada.

Ele foi a Havana a convite do amigo e cantor Silvio Rodriguez, ídolo popular dos cubanos, para gravar uma nova música.

Caminhando pelo centro histórico, Chico se deixou levar pelo som das esquinas: violões improvisados, vozes roucas e ritmos caribenhos ecoando entre prédios antigos, no sopro do mar do caribe.

Um dos pontos altos da visita foi sua passagem pela Casa de las Américas, importante instituição cultural do continente.

Ali, participou de conversas com escritores, músicos e intelectuais, discutindo os caminhos da arte latino-americana e suas relações com a política e a sociedade.

Foi um momento de descontração e memórias compartilhadas.

Aplausos na rua

Em seu último dia na Ilha, Chico Buarque foi passear com a esposa Carol Proner pelo Malecón, a Copacabana dos cubanos.

Bastaram alguns minutos no calçadão para o compositor brasileiro ser reconhecido por um grupo de artistas de rua.

Em cena emocionante, o cantor foi abordado pelos músicos cubanos.

Após ser abraçado e festejado pelos artistas, Chico cantarolou junto com eles a “Pequeña serenata diurna”, canção de Silvio Rodriguez.

Fazia 34 anos que o artista brasileiro não andava em Cuba. Ele reencontrou Havana no momento mais dramático de sua história – sem combustíveis, eletricidade cortada, economia em frangalhos,

cenário doloroso do cruel, prolongado e desumano embargo econômico imposto há mais de 60 anos pelos Estados Unidos.

O calor dos cubanos

Não surpreende essa festa que os cubanos fizeram para Chico Buarque. Eles são muito calorosos com os brasileiros.

Sem o gênio e a fama dele, também recebi manifestações semelhantes quando lá estive em 1997, integrando uma grande comitiva de brasileiros.

Durante a visita, fui conhecer o restaurante Floridita, o mais tradicional de Havana e o preferido do escritor Ernest Hemingway, quando morou em Cuba.

Eu estava na companhia do médico Silvio Mendes, hoje prefeito de Teresina pela terceira vez.

Na ocasião, estava se apresentando no restaurante o grupo “Taí Cuba”, o Trio Irakitan dos cubanos.

Quando souberam por Silvio que éramos brasileiros e que eu tocava violão, eles disseram que gostavam muito das músicas brasileiras.

E pediram que eu cantasse uma delas.

Indaguei de qual gostavam, e eles citaram justamente Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Roberto Carlos.

Então, com o violão de um deles, cantei “Debaixo dos caracóis de seus cabelos”.

Os músicos pediram outras. Saíram umas 20 canções. De Cartola a Waldick Soriano. E pelo menos umas três de Chico Buarque – “Cálice”, “Cotidiano” e “Gente Humilde”.

Se com um amador de minha qualidade os cubanos se empolgaram, imagine com Chico Buarque em carne e osso.

Outro detalhe: o grupo brasileiro foi brindado também com um show de Silvio Rodriguez no Teatro de Havana. E ele dedicou o show ao seu xará brasileiro Silvio, que ele nem conhecia.

Lembranças da Ilha

Esse meu inesperado e improvável encontro com os músicos cubanos levou-me a escrever, 25 anos depois, o livro “Recuerdos de la Isla”, que lancei em novembro do ano passado exatamente na Casa de Las Américas, que me recebeu afetuosamente.

Voltei a Cuba na companhia dos piauienses Wilson Martins, Arnaldo Boson, Jaylson Campelo, Francisco Araújo e Agnólio Paes. Todos se encantaram com a gente cubana.

Vou lançar esse livro em junho próximo no Salão do Livro do Piauí.

Meu livro chega com a recomendação de um expert em Cuba, o Frei Betto: “Recuerdos de Cuba são excelentes! Uma boa foto literária da Ilha”

Até o Salipi!

O autor com o Trio Taí Cuba, em Havana, em 1997 /Imagem: acervo pessoal.

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