O FOQUINHA 29 – Uma drástica mudança de rota
8 de março de 2026
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O FOQUINHA 30 – A passagem pelo jornal A HORA

Credencial do jornal A HORA/Imagem: acervo do autor.

(Publicado em 15/03/2026)

Como eu contava domingo passado, a minha inesperada ida para o jornal A HORA foi um choque. Eu estava há pouco mais de um ano no jornal O DIA e me sentia muito bem lá.

Mas decidi acompanhar o jornalista Chico Leal, que me abriu as portas de O DIA e do jornalismo. Ele disse que precisava de mim na nova casa. Fui como secretário de Redação.

Mais tarde, concluí que o jornal A HORA me apareceu como mais uma oportunidade de aprendizagem.

A HORA dispunha de um parque gráfico modesto. Ainda usava a linotipo (linhas de tipo), uma gigantesca e arcaica máquina de composição.

Tive, assim, a oportunidade de conhecer de perto esse equipamento que já estava caindo em desuso e de vê-lo em operação, diariamente.

A linotipo, inventada por Ottmar Mergenthaler, em 1886, operou como uma máquina tipográfica revolucionária, automatizando a composição de textos ao fundir linhas inteiras (lingotes) de chumbo derretido através de um teclado.

A digitação produzia pequenas matrizes de latão que desciam de um magazine, formando a linha, então fundida com metal derretido (chumbo, estanho e antimônio) a cerca de 270ºC a 450º Celcius.

A linotipo substituiu a composição manual, acelerando drasticamente a produção de jornais e livros até a chegada do offset.

Em Teresina, o último veículo que usou a linotipo foi o Jornal do Piauí, fundado em 1951 e desativado no início da década de 1990.

Uma lenda

O gerente industrial de jornal A HORA era o Litt Feitosa, uma lenda viva das oficinas de jornal e uma das melhores figuras humanas que conheci. Dominava o oficio e tinha prazer em orientar os mais novos. Dava gosto vê-lo botando aquela pesada gerigonça para funcionar, produzindo o jornal a ferro e fogo. Um grande companheiro que já virou saudade.

Foi como contratado do jornal A HORA que tirei o meu registro de jornalista junto à Delegacia Regional do Ministério do Trabalho. Ou seja, foi lá que oficialmente me tornei jornalista profissional.

E foi também através de A HORA que entrei para o rádio.

Contarei isso mais adiante.

Linotype Modelo 8 em exposição na sede da Academia Passo-Fundense de Letras (RS)/Imagem: Internet

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