O FOQUINHA 21 – Entrevistando grandes artistas
21 de dezembro de 2025
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O FOQUINHA 22 – “O menino é o pai do homem”   

Venâncio do Parque, entre o deputado Themístocles Filho e Deusdeth Nunes/Imagem: Reprodução.

  

Como ensinava o Bruxo do Cosme Velho, “O menino é o pai do homem”. A sentença aparece, como sabem, em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Bem, antes de dar continuidade às lembranças dos meus primeiros anos no jornalismo, preciso contar mais uma passagem que seguramente marcou o início de minha formação cultural.

Quando cheguei em Teresina, em 1978, com 16 anos incompletos, para estudar na Escola Técnica Federal do Piauí (hoje IFPI), morei inicialmente no Parque Piauí.

Vim para a casa de uma família amiga de Água Branca – lá residimos com Raimundo Teixeira, que também estudava na ETFPi, e mais duas irmãs dele, a Maria e a Zefa.

Vivendo a infância na mesma rua, em Água Branca, e estudando juntos por lá, fomos criados praticamente como irmãos.

O Parque Piauí

A principal referência do bairro, para mim, naquela época, era o Centro Social Urbano.

O CSU era um espaço vivo, que reunia a comunidade dia e noite, especialmente a juventude, em muitas atividades: cursos de iniciação profissional, esporte, cultura, música, etc. E também paqueras…

Conheço uma geração de escritores que nasceu literariamente por lá.

Eu, particularmente, me identifiquei com as atividades culturais.

Nosso mentor era o Venâncio do Parque, um professor de matemática que se tornou agitador cultural do bairro e, depois, radialista.

Foi no CSU do Parque que conheci, por exemplo, o jornalista e radialista Deusdeth Nunes, o nosso Garrincha.

À época, seu programa “Um Prego na Chuteira” era uma febre, aos domingos, no rádio piauiense.

Cavalo Piancó

E foi também no CSU do Parque que ouvi falar pela primeira vez em “Cavalo Piancó”…

Mesmo morando em Água Branca, quase vizinha de Amarante, eu jamais soubera desse folguedo popular.

Só vim a tomar conhecimento dessa dança tão afropiauiense ao participar de um Curso de Folclore do Piauí ministrado no CSU pelo professor Noé Mendes de Oliveira, da Universidade Federal do Piauí.

E foi também a primeira vez na vida que, maravilhado, vi slides – recursos usados pelo professor para ministrar as aulas de seu curso.

Abandono

Lembrei-me desse episódio ao reler, outro dia, um livro de memórias do ex-deputado estadual Carvalho e Silva sobre a atuação dele na Secretaria do Trabalho e Ação Social, da qual foi titular no Governo Lucídio Portella (1979-1983).

Um dos pontos destacados por ele em seu livro, intitulado “Momentos e gestos que marcaram”, publicado em 2021, é exatamente a rede de CSU’s. Havia vários em Teresina e no interior do Piauí.

Aos poucos, esses espaços comunitários tão importantes foram sendo abandonados pelo governo e – mais grave – pela própria comunidade.

Mais adiante, alguns poucos foram reaproveitados com outras funções, mas a maioria acabou vergonhosamente em ruínas. Não sei como estão hoje.

Com dizia Deoclécio Dantas, eita Piauí difícil!

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