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O FOQUINHA 4 – Um AI-5 municipal

Imagem: Reprodução/Acervo do autor.

Voltarei a falar sobre o processo industrial de produção e impressão dos jornais – dos grandes e dos pequenos, que conheci por dentro e por fora.

Hoje começo a contar, enfim, como foi o siribolo causado pelo decreto do prefeito de Água Branca determinando o fechamento do nosso jornalzinho, há 45 anos.

Como eu já disse, o grupo de jovens fundou o jornalzinho em janeiro de 1980. A publicação saía quinzenalmente, com notícias e notas sobre a vida da cidade.

Tinha apenas quatro páginas, impressas em mimeógrafo, em papel formato A4, esse usado comumente pelas fotocopiadoras.

Era pequeno no tamanho, na quantidade de páginas e na tiragem, mas a cidade também não tinha lá essas coisas para publicar, não.

Como não havia tantas notícias locais de maior relevância, publicávamos também pequenos artigos, poemas e outras amenidades.

A fúria do poder

Um dia, na edição da primeira quinzena de julho, demos uma pequena nota, em página interna, informando que estava faltando material de expediente para o alistamento dos jovens na Junta do Serviço Militar.

Pra quê? Foi como cutucar onça com vara curta. Esse órgão funcionava em uma saleta da prefeitura e os poderosos locais tomaram a notinha como uma grave denúncia ou uma desaforada provocação.

E meteram na cabeça do prefeito que ele deveria mandar fechar o impertinente jornalzinho.

O prefeito não pensou duas vezes: baixou um decreto determinando o seu fechamento imediato. Era uma espécie de AI-5 municipal.

Daí para frente, foi um deus-nos-acuda, como contarei, tim-tim por tim-tim, na próxima semana.

Basta eu adiantar que o caso mexeu até com a cúpula da Igreja Católica no Piauí.

Edição especial sobre o decreto determinando o fechamento do jornal/ Reprodução: acervo do autor.

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