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31 de agosto de 2025Voltarei a falar sobre o processo industrial de produção e impressão dos jornais – dos grandes e dos pequenos, que conheci por dentro e por fora.
Hoje começo a contar, enfim, como foi o siribolo causado pelo decreto do prefeito de Água Branca determinando o fechamento do nosso jornalzinho, há 45 anos.
Como eu já disse, o grupo de jovens fundou o jornalzinho em janeiro de 1980. A publicação saía quinzenalmente, com notícias e notas sobre a vida da cidade.
Tinha apenas quatro páginas, impressas em mimeógrafo, em papel formato A4, esse usado comumente pelas fotocopiadoras.
Era pequeno no tamanho, na quantidade de páginas e na tiragem, mas a cidade também não tinha lá essas coisas para publicar, não.
Como não havia tantas notícias locais de maior relevância, publicávamos também pequenos artigos, poemas e outras amenidades.
A fúria do poder
Um dia, na edição da primeira quinzena de julho, demos uma pequena nota, em página interna, informando que estava faltando material de expediente para o alistamento dos jovens na Junta do Serviço Militar.
Pra quê? Foi como cutucar onça com vara curta. Esse órgão funcionava em uma saleta da prefeitura e os poderosos locais tomaram a notinha como uma grave denúncia ou uma desaforada provocação.
E meteram na cabeça do prefeito que ele deveria mandar fechar o impertinente jornalzinho.
O prefeito não pensou duas vezes: baixou um decreto determinando o seu fechamento imediato. Era uma espécie de AI-5 municipal.
Daí para frente, foi um deus-nos-acuda, como contarei, tim-tim por tim-tim, na próxima semana.
Basta eu adiantar que o caso mexeu até com a cúpula da Igreja Católica no Piauí.

Edição especial sobre o decreto determinando o fechamento do jornal/ Reprodução: acervo do autor.