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O tamanho de Ciro Nogueira após as eleições

Ciro Nogueira com o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, na transição/Imagem: MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL)

Da revista Veja, em sua edição on-line da última sexta-feira (04/11), ao apresentar o balanço político da semana:

Ciro Nogueira

Responsável pela campanha à reeleição, ele fez contagem regressiva no último dia 30 prevendo a vitória de Jair Bolsonaro. Embora seja um bom ministro, acabou reprovado como profeta.”

Este e outros comentários vêm sendo feitos nos meios políticos, desde o início da semana, após o resultado da eleição presidencial, a propósito da atuação do ministro-chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira.

De um modo geral, pinta-se o ministro como um derrotado nas eleições passadas, tanto no plano nacional quanto no Piauí.

Não seria de todo um equívoco enquadrá-lo nesta situação. De fato, ele perdeu as duas eleições das quais era coordenador – a de governador e a de presidente da República.

Mas eleição é isso: um jogo, no qual ou se ganha ou se perde. E nestas duas últimas o ministro não levou a melhor, como se diz de um lance no futebol.

A campanha no Piauí

Não é propriamente o resultado do embate (vitória ou derrota), contudo, que define o tamanho do lutador, mas como ele luta.

O exame desafetado da atuação política do ministro conduz facilmente ao reconhecimento de que Ciro Nogueira foi um grande e destemido lutador.

Vamos ao caso do Piauí. A oposição estava à toa. Ele pegou um político que já havia pendurado as chuteiras e estava ocupado exclusivamente de suas pescarias e o transformou em um candidato competitivo ao Governo do Estado.

Desde o início da campanha e até o final dela, o ex-prefeito Silvio Mendes liderou as pesquisas de intenção de voto.

Foi ultrapassado na reta final e vencido nas urnas pelo candidato do PT, Rafael Fonteles – este impulsionado pela sua garra pessoal, a força da máquina de poder e partidária e o vendaval Lula.

Nada faltou, porém, ao candidato Silvio Mendes para a campanha.

Nesse aspecto, a atuação do ministro na eleição estadual foi impecável.

Não foi só isso, porém. Ele lançou um sem-voto para concorrer ao Senado e quase toma a cadeira de senador do ex-governador Wellington Dias. Tirou tinta da trave.

A eleição presidencial

Quanto à eleição presidencial, o jogo foi ainda mais duro.

Para começar, é preciso fazer esta reflexão: o que seria do governo Bolsonaro sem o senador Ciro Nogueira no comando da coordenação política?

Ora, é inegável que, após a entrada do senador no ministério, o governo tomou outro rumo – se é que realmente tinha um antes.

Ciro Nogueira e os demais líderes do chamado “Centrão” deram ao presidente Bolsonaro a necessária sustentação política para atravessar as incontáveis crises que explodiram em seu caminho.

Não custa lembrar que muitas dessas crises foram provocadas pelo próprio presidente.

De outro lado, ele se deparou com a mais sistemática e aguerrida oposição que um ocupante do Planalto já enfrentou.

Insisto: sem o apoio político que o ministro da Casa Civil costurou no parlamento, o presidente teria amplas chances de ser carta fora do baralho na sucessão de 22.

Ou isso ou o Brasil descambaria inevitavelmente para um descaminho político.

Por um triz

Mas o presidente consegue cumprir todo o mandato dentro das quatro linhas, como ele gosta de repetir, e por muito pouco, mas muito pouco mesmo, não o renova.

Lula foi eleito com 60.345.99 (50,9% dos votos), contra 58.206.354 (49,1%) conseguidos por Bolsonaro. A história do Brasil não registra outra eleição presidencial tão disputada.

Além da coordenação da campanha presidencial, o minisfro participou ativa e decisivamente das articulações para a eleição do novo Congresso, ampliando a participação do “Centrão” no parlamento.

Como, diante disso, o ministro Ciro Nogueira pode ser considerado um derrotado?

E o futuro?

O artilheiro não deixa de ser craque porque, em uma partida, a bola chutada por ele bate na trave.

O senador é um dos cabeças do Congresso, tem trânsito livre nos diversos segmentos e lê na cartilha do pragmatismo da política.

Assim, da mesma forma que Wellington Dias não deixa de ser o grande líder do Piauí, ante o susto que levou nas urnas, quando quase perde a eleição de senador para um desconhecido (Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano), Ciro Nogueira também não perde sua condição de líder nacional e estadual.

O futuro que se aproxima confirmará isso de forma contundente.

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