{"id":884,"date":"2022-11-27T07:19:38","date_gmt":"2022-11-27T10:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/?p=884"},"modified":"2022-11-27T07:24:12","modified_gmt":"2022-11-27T10:24:12","slug":"um-reencontro-mais-de-30-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/2022\/11\/27\/um-reencontro-mais-de-30-anos-depois\/","title":{"rendered":"Um reencontro mais de 30 anos depois"},"content":{"rendered":"\n<p>A primeira vez que ouvi falar em Literatura Piauiense foi em 1979. Eu tinha a\u00ed de 16 para 17 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano anterior, havia me mudado para Teresina, a fim de dar continuidade aos meus estudos, iniciados em \u00c1gua Branca.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando aqui cheguei, com o antigo gin\u00e1sio conclu\u00eddo, conhecia um poema ou outro de Da Costa e Silva, mas n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o de que ele fosse piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi na Escola T\u00e9cnica Federal do Piau\u00ed, hoje IFPI, j\u00e1 cursando Edifica\u00e7\u00f5es, no correspondente hoje ao segundo ano do Ensino M\u00e9dio, que tive o primeiro contato com um livro de autor piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um livrinho de capa amarela, com menos de 100 p\u00e1ginas, rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela tamb\u00e9m rec\u00e9m-criada Editora Corisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu t\u00edtulo: <strong>Literatura Piauiense<\/strong>. Autores: <strong>Carlos Evandro<\/strong>, <strong>Cineas Santos <\/strong>e <strong>Herculano Moraes<\/strong>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O livro, recomendado pela nossa professora de portugu\u00eas, Auri Lessa, trazia estudos desses autores, de forma breve, sobre seis escritores piauienses: <strong>Da Costa e Silva, \u00c1lvaro Pacheco, H. Dobal, Fontes Ibiapina, Assis Brasil e O.G. Rego de Carvalho.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O livro sumiu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passei uns dez anos com este livro, que algu\u00e9m me tomou de empr\u00e9stimo e esqueceu de devolver, sem atentar para o valor sentimental que ele representava para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, que, de l\u00e1 para c\u00e1, seu conte\u00fado foi suprido por outras leituras, mas sempre quis ter aquele livrinho por perto, pelo que ele representava em minha inicia\u00e7\u00e3o como leitor de autores piauienses.<\/p>\n\n\n\n<p>Como na cl\u00e1ssica propaganda do genial Washington Olivetto, o primeiro livro a gente nunca esquece.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O livro voltou<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu contava esta hist\u00f3ria outro dia na Academia Piauiense de Letras, em uma roda de escritores \u00e0 qual se fazia presente o professor e acad\u00eamico Carlos Evandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se adiantou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu tenho dois exemplares desse livro. Vou lhe dar um.<\/p>\n\n\n\n<p>A promessa foi cumprida logo em seguida e, assim, mais de 30 anos depois, o livro que tanto me impressionou na juventude voltava \u00e0s minhas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Folheando novamente a publica\u00e7\u00e3o, vejo que o livro se destinava aos candidatos ao vestibular de 1979 da UFPI, que, naquele ano, adotava os autores j\u00e1 citados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pena de morte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de dez anos, com a implanta\u00e7\u00e3o do SISU, as universidades p\u00fablicas do Piau\u00ed sepultaram os escritores piauienses \u2013 mortos e vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea? Porque d\u00e1 menos trabalho e mais dinheiro. Tudo j\u00e1 vem pronto do MEC.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a partir deste ano, o IFPI \u201cdesafina o coro dos contentes\u201d e cai fora do SISU. Est\u00e1 retomando o vestibular tradicional como meio de acesso aos seus cursos superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>As vagas do IFPI est\u00e3o entre as mais procuradas. No SISU 2022, o instituto recebeu mais de 13 mil inscri\u00e7\u00f5es. A concorr\u00eancia por vaga ficou em quase 6 por cento.<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto funciona em uma rede de tr\u00eas campi em Teresina e mais 18 em munic\u00edpios do interior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A volta da Literatura Piauiense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada, representando a Academia Piauiense de Letras, eu e o acad\u00eamico Elmar Carvalho fomos cumprimentar o reitor do IFPI, professor Paulo Borges da Cunha, pela decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele nos informou que, a partir do ano que vem, o vestibular da institui\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a cobrar conhecimentos sobre autores piauienses.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso obriga as escolas secund\u00e1rias a voltarem a oferecer a disciplina Literatura Piauiense aos seus alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, no meio da conversa com o reitor, lhe contei a hist\u00f3ria do meu primeiro livro de Literatura Piauiense, ele me pediu que eu a passasse para frente, o que estou fazendo agora.<\/p>\n\n\n\n<p>E com um adendo: por uma estranha ironia, uma escola de ensino tecnol\u00f3gico foi justamente a primeira que me falou de Literatura Piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pois \u00e9!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, jamais passaria pela minha cabe\u00e7a que, algum dia, viesse a me tornar escritor.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito menos que viesse a presidir a Academia Piauiense de Letras e ainda que, nesta condi\u00e7\u00e3o, viesse a encabe\u00e7ar uma campanha pelo ensino de Literatura Piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p>Meus agradecimentos ao IFPI, a minha velha e sempre querida Escola T\u00e9cnica, por me abrir as portas para a Literatura Piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o, de igual modo, ao estimado professor e confrade Carlos Evandro, pelo inimagin\u00e1vel reencontro com meu primeiro livro de Literatura Piauiense.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu gesto de me presentar com um dos dois exemplares que guardava como rel\u00edquia me proporcionou alegria e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a Literatura Piauiense!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"766\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-766x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-886\" srcset=\"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-766x1024.jpg 766w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-224x300.jpg 224w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-768x1027.jpg 768w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-109x146.jpg 109w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-37x50.jpg 37w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1-56x75.jpg 56w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Literatura-Piauiense1.jpg 1053w\" sizes=\"auto, (max-width:767px) 480px, 766px\" \/><figcaption><em>A capa de meu primeiro livro de Literatura Piauiense.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que ouvi falar em Literatura Piauiense foi em 1979. 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