{"id":485,"date":"2021-05-16T07:12:22","date_gmt":"2021-05-16T10:12:22","guid":{"rendered":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/?p=485"},"modified":"2021-05-16T08:06:25","modified_gmt":"2021-05-16T11:06:25","slug":"caze-e-a-casa-de-dona-noca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/2021\/05\/16\/caze-e-a-casa-de-dona-noca\/","title":{"rendered":"Caz\u00e9 e a casa de Dona Noca"},"content":{"rendered":"\n<p>Joana da Rocha Santos. Citada assim, pelo seu nome de batismo, pouca gente de fora de sua aldeia sabe de quem se trata. Foi, afinal, com o nome de Dona Noca, como era conhecida, que ela se tornou uma lenda. Uma lenda dos sert\u00f5es do Sul do Maranh\u00e3o que ganhou o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em 1892, Dona Noca foi a primeira prefeita de S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos. Mais que isso: a primeira prefeita do Maranh\u00e3o. Mais ainda: a primeira prefeita do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi nomeada prefeita de sua terra natal em 1934 pelo delegado do governo federal no Maranh\u00e3o, em plena Era Vargas. Mas voltou ao cargo pelas m\u00e3os do povo, pelo voto direto, para mais tr\u00eas mandatos. No total, exerceu o cargo de prefeita por 21 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abrindo caminhos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Noca n\u00e3o apenas abriu caminhos para a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica, em uma \u00e9poca em que tudo era negado \u00e0 mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela abriu tamb\u00e9m as estradas que ligam S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos \u00e0s cidades de Bar\u00e3o de Graja\u00fa, Passagem Franca, Buriti Bravo, Pastos Bons, Nova Iorque e Paraibano.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m construiu escola, o mercado p\u00fablico e instalou a energia el\u00e9trica no munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>E criou a \u201cCaixa dos Pobres\u201d, obra social destinada ao aprendizado de carpintaria, tecelagem, costura, bordado, alfaiataria e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos \u00e9 conhecida como a \u201cCidade dos Bordados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o parou a\u00ed: Dona Noca exerceu ainda as fun\u00e7\u00f5es de delegada, promotora p\u00fablica e ju\u00edza de paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra particularidade: tinha uma personalidade forte, era mandona e n\u00e3o tinha medo de homem. Nem de bala nem de nada.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista maranhense Neiva Moreira (1917-2012), seu afilhado, assim a descreveu no livro \u201cO Pil\u00e3o da Madrugada: \u201cFoi a mulher mais dominadora e decidida que conheci\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Dona Noca inspirou a miniss\u00e9rie \u201cDona Felinta Cardoso \u2013 A Rainha do Agreste\u201d, de autoria do jornalista e poeta Ferreira Gullar, exibida pela Rede Globo, em dois epis\u00f3dios, no final da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pastos Bons<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conheci algumas hist\u00f3rias de Dona Noca atrav\u00e9s do jornalista Raimundo Caz\u00e9, que nasceu em Nova Iorque, em 1943, e viveu entre sua terra natal e S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos at\u00e9 se mudar para Teresina, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele nos falava sobre ela, primeiro, nas reda\u00e7\u00f5es. Depois, nas frequentes viagens a Pastos Bons, ber\u00e7o natal do professor Celso Barros Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 85 anos, mas com o esp\u00edrito de um jovem, o Dr. Celso &#8211; que esta semana entrou na casa dos 100 &#8211; criou e instalou em sua terra uma academia de letras, numa esp\u00e9cie de retorno espiritual \u00e0s suas ra\u00edzes.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidou para integr\u00e1-la um grupo de devotados admiradores que o cercava em Teresina: Herculano Moraes, Fonseca Neto, Jo\u00e3o Ren\u00f4r, Caz\u00e9 e eu. Outros foram se somando ao grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Academia de Letras, Hist\u00f3ria e Ecologia da Regi\u00e3o Integrada de Pastos Bons nos juntamos a intelectuais da terra residentes na cidade e tamb\u00e9m em Balsas, Imperatriz, S\u00e3o Lu\u00eds e outros munic\u00edpios maranhenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos duas vezes ao ano vamos \u00e0s reuni\u00f5es da academia em sua sede. O \u00fanico ano que passou em branco foi o de 2020, por causa da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas viagens, quando \u00edamos com Herculano Moraes, uma parada obrigat\u00f3ria em Floriano, para ele visitar a m\u00e3e dele. Uma bela e octogen\u00e1ria \u00edndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais outra parada em S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos, quando era com o Caz\u00e9, para este visitar a m\u00e3e dele. Uma bela e nonagen\u00e1ria sertaneja que morava com uma filha dela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na sala da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma dessas viagens, logo nas primeiras, em 2005 ou 2006, o Caz\u00e9 nos levou \u2013 a mim e ao professor Fonseca \u2013 \u00e0 casa de Dona Noca, falecida em Floriano, em 1970. Essa casa produziu e abrigou muitas hist\u00f3rias. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma visita providencial, pois a resid\u00eancia foi desnecessariamente destru\u00edda tempos depois. Quando a visitamos era a sede da Prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro \u201cO Pil\u00e3o da Madrugada\u201d, lan\u00e7ado em 1989, Neiva Moreira reclamava: \u201cDona Noca ainda est\u00e1 \u00e0 espera de seu bi\u00f3grafo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava. O historiador, professor e acad\u00eamico Fonseca Neto d\u00e1 os \u00faltimos retoques na biografia da ex-prefeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Destru\u00edram a casa de Dona Noca, mas n\u00e3o a sua hist\u00f3ria, que se mant\u00e9m de p\u00e9 e ser\u00e1 contada nessa aguardada biografia a ser publicada at\u00e9 o final deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Trarei outras lembran\u00e7as do Caz\u00e9, que nos deixou em 26 de abril.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joana da Rocha Santos. Citada assim, pelo seu nome de batismo, pouca gente de fora de sua aldeia sabe de quem se trata. 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