{"id":476,"date":"2021-05-10T09:50:57","date_gmt":"2021-05-10T12:50:57","guid":{"rendered":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/?p=476"},"modified":"2021-05-10T10:06:03","modified_gmt":"2021-05-10T13:06:03","slug":"caze-e-o-pilao-da-madrugada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/2021\/05\/10\/caze-e-o-pilao-da-madrugada\/","title":{"rendered":"Caz\u00e9 e o pil\u00e3o da madrugada"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi o mestre Celso Barros quem primeiro me falou deste livro. Mais de uma vez. V\u00e1rias. Mas levei um bom tempo para adquiri-lo e mais tempo, ainda, para l\u00ea-lo, apesar de ficar impressionado, desde o primeiro momento, com a beleza de seu t\u00edtulo: \u201cO Pil\u00e3o da Madrugada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cairia muito bem para o t\u00edtulo de um romance, mas se trata, na verdade, de um longo e vigoroso depoimento do jornalista Neiva Moreira dado ao seu conterr\u00e2neo, colega e escritor Jos\u00e9 Louzeiro (hoje um nome precoce e injustamente esquecido).<\/p>\n\n\n\n<p>Neiva Moreira foi uma das lendas vivas dos meus anos iniciais de jornalismo. Ele nasceu em Nova Iorque, no Maranh\u00e3o, estudou em Floriano e Timon e chegou \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o como um combativo e destemido jornalista e deputado do Maranh\u00e3o, cassado pelo golpe militar de 1964. Foi mandado para fora do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No ex\u00edlio, escreveu e publicou uma revista que repercutiu em toda a Am\u00e9rica Latina e em v\u00e1rias partes do planeta: \u201cCadernos do Terceiro Mundo\u201d, fundada em Buenos Aires, em 1974. Depois, sua sede foi transferida para o Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de mais de 30 anos, a publica\u00e7\u00e3o fez coberturas sobre eventos hist\u00f3ricos do s\u00e9culo XX, como a descoloniza\u00e7\u00e3o da&nbsp;\u00c1frica e a redemocratiza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, e entrevistou diversas lideran\u00e7as mundiais. Conheci os jornalistas Carlos Dias e Nilson S\u00e1 como seus correspondentes por estas bandas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A origem do t\u00edtulo do livro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bem, o t\u00edtulo \u201cO Pil\u00e3o da Madrugada\u201d saiu dos relatos de Neiva Moreira a Jos\u00e9 Louzeiro. \u00c9 sobre a hist\u00f3ria de tr\u00eas velhas irm\u00e3s que, solid\u00e1rias, nos sert\u00f5es maranhenses, atravessavam as noites em vig\u00edlia, socando no pil\u00e3o, para orientar os viajantes perdidos daquelas lonjuras. Exerciam essa atividade, religiosamente, pelo prazer de servir.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro foi publicado pela primeira vez em 1989, com grande aceita\u00e7\u00e3o. No entanto, s\u00f3 vim a fazer sua leitura muitos anos depois, por insist\u00eancia dos advogados Reginaldo Furtado e Ozildo Batista de Barros, este tamb\u00e9m poeta, e do professor e acad\u00eamico Fonseca Neto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na voz do pr\u00f3prio Neiva Moreira (1917-2012), a obra conta a hist\u00f3ria de um jornalista, pol\u00edtico e parlamentar \u2013 no caso, ele pr\u00f3prio \u2013 com intensa atua\u00e7\u00e3o desde a sua juventude, em S\u00e3o Lu\u00eds, passando pelos seus mandatos no Rio e em Bras\u00edlia, at\u00e9 os anos de ex\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um rico depoimento sobre a hist\u00f3ria recente do Brasil e da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da obra, conhecemos mais sobre personalidades brasileiras como Assis Chateaubriand, Get\u00falio Vargas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, Jo\u00e3o Goulart e Jos\u00e9 Sarney, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Neiva Moreira conta que, quando tinha a\u00ed por volta de 15 anos, fez uma viagem de Bar\u00e3o do Graja\u00fa a S\u00e3o Jo\u00e3o dos Patos, na companhia de Dona Noca, outra lenda maranhense, sobre a qual escreverei mais adiante, nestas mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa viagem, ele ouviu, \u00e0 noite, no meio da chapada desabitada, o long\u00ednquo batido de um pil\u00e3o varando a madrugada. E soube por um tropeiro qual era o seu significado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cMeninos, eu vi!\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem! Quem leu o livro e tem a alma sertaneja ficou com aquelas batidas de pil\u00e3o na lembran\u00e7a. E certamente com a curiosidade de conhecer o lugar onde se passou aquela cena. \u00c9 que ela representa, em s\u00edntese, como destaca Neiva Moreira, a generosidade pura, a solidariedade espont\u00e2nea e desinteressada.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, particularmente, tive o privil\u00e9gio de satisfazer essa curiosidade. Anos depois da leitura do livro, conheci a regi\u00e3o onde batia o pil\u00e3o da madrugada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, como escreveu outro maranhense, Gon\u00e7alves Dias, \u201cmeninos, eu vi!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E fui levado \u00e0quelas paragens pelo jornalista Raimundo Caz\u00e9, amigo e conterr\u00e2neo de Neiva Moreira, nascidos no mesmo Estado e na mesma cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s do Caz\u00e9, conheci tamb\u00e9m a casa de Dona Noca, tema de outra cr\u00f4nica de saudade para rememorar a conviv\u00eancia com o querido amigo, arrebatado pela Covid-19 em 26 de abril passado, aos 77 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi o mestre Celso Barros quem primeiro me falou deste livro. Mais de uma vez. V\u00e1rias. 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