{"id":1382,"date":"2025-11-30T19:55:38","date_gmt":"2025-11-30T22:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/?p=1382"},"modified":"2025-11-30T20:08:03","modified_gmt":"2025-11-30T23:08:03","slug":"alvaro-pacheco-poeta-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/2025\/11\/30\/alvaro-pacheco-poeta-maior\/","title":{"rendered":"\u00c1lvaro Pacheco, poeta maior"},"content":{"rendered":"\n<p>(<em>Publicado em 30\/11\/2025<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A poesia brasileira perdia, no \u00faltimo dia 21\/11, um de seus nomes mais expressivos: \u00c1lvaro Pacheco.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Piauiense de Jaic\u00f3s, onde nasceu em 1933, ele silenciou aos 92 anos, no Rio de Janeiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele morava no Rio desde 1959 e l\u00e1 fez toda a sua bem-sucedida carreira profissional como jornalista, poeta, advogado e empres\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, eu mantinha com ele regular correspond\u00eancia, chegando a visit\u00e1-lo algumas vezes em Bras\u00edlia, quando foi senador, e no Rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 alguns anos essa correspond\u00eancia foi interrompida, em fun\u00e7\u00e3o do mal de Alzheimer do qual o poeta foi acometido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O poeta \u00c1lvaro Pacheco foi o patrono do Salipi 2016.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele n\u00e3o pode comparecer ao evento e registrei a homenagem dos conterr\u00e2neos atrav\u00e9s desta cr\u00f4nica publicada na revista <em>Cidade Verde<\/em>, em 26 de junho de 2016:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>_____________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O homem e o poeta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele cumpriu a sina de muitos meninos sertanejos que, naqueles tempos de grande atraso, deixavam de cora\u00e7\u00e3o partido o lar paterno, querido e pobre, no interior, com o sonho de ganhar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na capital, foi generosamente acolhido por parentes abastados que puseram em suas m\u00e3os as chaves do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles, em particular, orgulho maior da fam\u00edlia e, depois, do Piau\u00ed, marcou indelevelmente sua alma e influenciou de modo decisivo a sua forma\u00e7\u00e3o cultural e humana.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem era seu tio e, em sua biblioteca particular, imensa e ecl\u00e9tica, \u00e0s vezes at\u00e9 furtivamente, o menino familiarizou-se, no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, com Anatole France, Balzac, Victor Hugo, Jean Anouilh, Lamartine. Conheceu <em>D. Quixote <\/em>e <em>Romeu e Julieta<\/em>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda aluno do Velho Liceu, plasmava com a leitura dos cl\u00e1ssicos da literatura universal o esp\u00edrito liter\u00e1rio que o revelaria mais tarde um dos mais inspirados e mais fecundos poetas brasileiros de seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tio e sobrinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O homem e o poeta s\u00e3o, respectivamente, o jurista Cl\u00e1udio Pacheco e o poeta \u00c1lvaro Pacheco, dois \u00edcones da Academia Piauiense de Letras.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro escreveu, pacientemente, durante 15 longos anos, em 14 volumes, o monumental <em>Tratado das Constitui\u00e7\u00f5es Brasileiras<\/em>, o mais completo estudo comparativo de Direito Constitucional jamais realizado no Brasil, sempre atualizado e que, no fim da vida longeva, adaptou \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra obra de f\u00f4lego de sua autoria \u00e9 a <em>Hist\u00f3rica do Banco do Brasil<\/em>, em 8 volumes, trabalho que \u00e9 a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da economia brasileira por mais de um s\u00e9culo e meio.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda publicou o romance <em>As pedras ficaram magras<\/em>, editado no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A obra de \u00c1lvaro Pacheco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo reuniu sua obra po\u00e9tica em 16 livros: <em>Os Instantes e os Gestos<\/em> (1958); <em>Pasto da Solid\u00e3o<\/em> (1965); <em>Margem, Rio, Mundo<\/em> (1966); <em>O Sonho dos Cavalos Selvagens<\/em> (1967); <em>A For\u00e7a Humana <\/em>(1970) e <em>A Mat\u00e9ria do Sonho (1971)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais: <em>Tempo Integral<\/em> (1973); <em>O Homem de Pedra<\/em> (1975); <em>Itiner\u00e1rios<\/em> (1983); <em>Sele\u00e7\u00e3o de Poemas<\/em> (1984) e <em>Balada do Nadador do Infinito<\/em> (1984).<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda: <em>A Geometria dos Ventos<\/em> (1992); <em>Tryptique Pour Vang Gogh<\/em> (1994); <em>Solst\u00edcio de Inverno<\/em> (1998); <em>A Balada e Outros Poemas<\/em> (2001) e <em>Epifania das Estrelas para Galileu Galilei<\/em> (2002).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pr\u00eamios e homenagens<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1985, o poeta foi agraciado com o Pr\u00eamio Nacional de Literatura do Pen Clube do Brasil, por seu livro Balada do Nadador do Infinito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2002, recebeu da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores (UBE) o Pr\u00eamio Cec\u00edlia Meireles de Poesia, pela antologia A Balada e Outros Poemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1lvaro Pacheco foi o homenageado do Sal\u00e3o do Livro do Piau\u00ed \u2013 Salipi 2016. N\u00e3o pode estar presente para receber e agradecer as homenagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o evento, recuperando-se de uma cirurgia no ombro, ap\u00f3s uma queda, ele seguia a rigorosa recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de passar pelo menos tr\u00eas semanas sem viajar de avi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ex\u00edlio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Rio, que lhe abriu as portas para o sucesso, como jornalista, advogado, poeta, editor e distribuidor cinematogr\u00e1fico, um dos principais do pa\u00eds, ele cumpre aos 84 anos um ex\u00edlio iniciado em 1955.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o Piau\u00ed n\u00e3o saiu de sua alma nem de seus versos, como ele mesmo confessa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A poesia fez-me, cada vez mais, olhar para o passado, vasculhar a mem\u00f3ria das emo\u00e7\u00f5es e dos deslumbramentos e querer e querer e querer a minha terra e as minhas origens<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado em 30\/11\/2025) A poesia brasileira perdia, no \u00faltimo dia 21\/11, um de seus nomes mais expressivos: \u00c1lvaro Pacheco. 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