{"id":1002,"date":"2024-02-17T07:42:36","date_gmt":"2024-02-17T10:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/?p=1002"},"modified":"2024-02-17T07:43:32","modified_gmt":"2024-02-17T10:43:32","slug":"magro-de-aco-nos-bilinguinguins-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/2024\/02\/17\/magro-de-aco-nos-bilinguinguins-dos-eua\/","title":{"rendered":"\u201cMagro de A\u00e7o\u201d nos bilinguinguins dos EUA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O jornalista norte-americano  George Tanber escreveu e publicou nos Estados Unidos uma reportagem especial sobre o jornalista e professor Carlos Said, o Magro de A\u00e7o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O texto \u00e9 o que se segue, com tradu\u00e7\u00e3o do jornalista e professor Gustavo Said:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Carta do Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Aos 92 anos, o lend\u00e1rio Magro de A\u00e7o do futebol vive<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>TERESINA, Brasil \u2013 Quando voc\u00ea conhece Carlos Said pela primeira vez, voc\u00ea fica impressionado com sua voz \u2013 ou com a falta dela. Mais de sete d\u00e9cadas atr\u00e1s do microfone em milhares de jogos de futebol danificou suas cordas vocais. Ele soa como o substituto do personagem principal do filme <em>Poderoso Chef\u00e3o<\/em>. No entanto, as tubula\u00e7\u00f5es vocais enfraquecidas n\u00e3o diminu\u00edram o homem que \u00e9 uma das figuras mais queridas nesta cidade de 1,2 milh\u00f5es de habitantes no Nordeste do Brasil. Pelo contr\u00e1rio, ele possui um n\u00edvel de energia e entusiasmo que desmente os seus 92 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos sentados no p\u00e1tio de sua modesta casa no centro da cidade, onde ele mora h\u00e1 50 anos. [Embora sejamos primos distantes \u2013 nossas bisav\u00f3s eram irm\u00e3s \u2013 nunca nos conhecemos at\u00e9 hoje.] O bairro, antes residencial, hoje \u00e9 uma zona comercial. Resta apenas uma casa \u2013 a de Carlos Said. Apesar dos protestos da sua fam\u00edlia, ele recusou-se a mudar-se. Esta teimosia, firmemente enraizada no DNA do homem, frustrou os seus filhos, amigos e colegas ao longo dos anos. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma raz\u00e3o fundamental para o seu sucesso \u2013 e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem inferior teria sido enterrado h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que nos aprofundamos na hist\u00f3ria de Carlos Said, uma coisa ficou clara: \u00e9 dif\u00edcil discernir entre o que \u00e9 fato e o que foi consideravelmente embelezado.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Carlos Said \u00e9 o primeiro a admitir que h\u00e1 alguma sombra entre o que \u00e9 real e o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 o Carlos Said, o homem. E depois h\u00e1 o mito\u201d, diz ele, quase caprichoso em sua fala.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois de todos esses anos, \u00e0s vezes n\u00e3o tenho certeza de qual \u00e9 qual.\u201d E tem mais isto: em um pa\u00eds onde figuras famosas do esporte costumam ser conhecidas por um \u00fanico nome \u2013 como Pel\u00e9 \u2013 Carlos Said sempre usa dois nomes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeiro, Futebol&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pai de Carlos Said, Solomon, imigrou do L\u00edbano para o Brasil em circunst\u00e2ncias incomuns. Abraham Said [Sy-eed] temia que seu filho mais velho fosse recrutado para o ex\u00e9rcito turco durante a Primeira Guerra Mundial. Ent\u00e3o ele viajou com seu filho para Teresina, ficou uma semana e voltou para o L\u00edbano, deixando Salom\u00e3o se defender sozinho. Como muitos imigrantes libaneses aqui naquela \u00e9poca, Solomon tornou-se mascate. Casou-se com uma libanesa e teve oito filhos, sendo o sexto Carlos Said. O conflito entre pai e filho come\u00e7ou cedo. Carlos Said descobriu o futebol, esporte nacional, e ficava dia e noite nas ruas com os amigos praticando o esporte que amavam. Quando ele entrou na adolesc\u00eancia, seu pai \u2013 possuindo a mentalidade de um imigrante trabalhador \u2013 estava farto daquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Said lembra: \u201cEle me disse: \u2018Pare de jogar. Leve sua vida a s\u00e9rio.\u2019\u201d \u00c0s vezes, o cintur\u00e3o de seu pai \u2018falava\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Carlos Said, sempre teimoso, continuou jogando. E desenvolveu um plano. Ele se lembra de ter ouvido a Copa do Mundo no r\u00e1dio em 1938 e ficou hipnotizado pelo locutor. Embora tivesse apenas 7 anos na \u00e9poca, a experi\u00eancia permaneceu e ele finalmente pensou que poderia de alguma forma combinar futebol e r\u00e1dio como carreira profissional. N\u00e3o demorou muito para Carlos Said.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 14 anos, ele convenceu o dono de um sistema de som conectado por cabo a todas as pra\u00e7as da cidade para que ele anunciasse resultados de jogos de futebol e reportagens. [Na \u00e9poca n\u00e3o existiam r\u00e1dios em Teresina.]<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Said sorri amplamente ao recordar o seu sucesso inicial. \u201cNo in\u00edcio, eles me disseram: \u2018Ningu\u00e9m est\u00e1 interessado em not\u00edcias de futebol\u2019. Mas continuei pressionando e finalmente eles cederam. Eles me deram cinco minutos para cada transmiss\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, ingressou em um clube de futebol amador chamado River. Seus companheiros mais experientes lhe disseram que ele seria o goleiro, uma posi\u00e7\u00e3o de press\u00e3o que ningu\u00e9m mais queria. Ele tinha um pouco menos de 1,80 metro de altura e pesava cerca de 60 quilos. Mas&nbsp; tinha pernas de girafa e bra\u00e7os igualmente longos. Carlos Said tinha um talento natural para manter as bolas de futebol fora da trave de jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPercebi\u201d, diz ele, \u201cque tinha um dom\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe foi um enorme sucesso. Em suas 18 temporadas no River, terminando em 1963, o time conquistou sete campeonatos. Pergunto ao Carlos qual era o seu sal\u00e1rio nesses anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem dinheiro!\u201d ele diz, seus bra\u00e7os agitando-se descontroladamente como os de um maestro. \u201cAqueles dias foram gloriosos. Os melhores momentos. Praticando o esporte que eu amava. Ganhando. Era tudo uma quest\u00e3o de amor pelo jogo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Estou surpreso com o n\u00edvel de energia do homem. A temperatura neste dia est\u00e1 chegando a 38 graus. A umidade correspondente deixou minha camisa encharcada de suor. Carlos Said, vestindo camiseta de futebol branca, shorts marrons e sand\u00e1lias, est\u00e1 seco como em um dia ensolarado de primavera nas montanhas. Percebo que todas as janelas da casa t\u00e9rrea est\u00e3o abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem ar condicionado?\u201d Eu pergunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos disse: \u201cN\u00e3o preciso disso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira r\u00e1dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1948, quando Carlos Said tinha 17 anos, foi inaugurada a primeira emissora da cidade, a R\u00e1dio Difusora. Ele foi contratado para fazer pequenas reportagens esportivas. Dois anos depois, ele estava ao microfone na transmiss\u00e3o do primeiro jogo de futebol em Teresina. Permaneceu na Difusora at\u00e9 1962, quando foi contratado pela muito maior R\u00e1dio Pioneira, um novo empreendimento apoiado pela Igreja Cat\u00f3lica local. Carlos Said foi nomeado diretor de esportes e jornalismo. Apesar do prest\u00edgio dos cargos, seu sal\u00e1rio era min\u00fasculo. Seu pai permaneceu chateado.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, para apaziguar Solomon \u2013 temporariamente \u2013 Carlos Said matriculou-se na Faculdade de Direito do Piau\u00ed. Escolheu Direito, n\u00e3o porque quisesse exercer a profiss\u00e3o, mas porque era o \u00fanico curso oferecido na \u00e9poca. <\/p>\n\n\n\n<p>Formou-se em 1956. No ano seguinte, seu pai mudou-se com a fam\u00edlia para S\u00e3o Paulo, 2.650 quil\u00f4metros ao sul, onde havia mais oportunidades. Carlos Said, ent\u00e3o com 26 anos, recusou-se a juntar-se a eles, surpreendendo o pai. Ele se lembra da \u00faltima conversa entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu pai me disse &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o vai colocar comida na mesa se voc\u00ea joga futebol&#8217;. Eu disse a ele: &#8216;Pai, vou fazer meu trabalho futebol e um dia voc\u00ea ver\u00e1 que eu consegui sustentar minha fam\u00edlia.'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Acidente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como se precisasse, a sa\u00edda da fam\u00edlia despertou a motiva\u00e7\u00e3o de Carlos Said.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele lembra: \u201cFiquei triste, mas tive que aceitar a realidade de estar sozinho e seguir em frente com minha vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pouco tempo, casou-se com Rochelane Fortes, constituiu fam\u00edlia, voltou \u00e0 escola para se formar em hist\u00f3ria e foi contratado por diversos jornais locais para fazer reportagens sobre futebol e outros esportes \u2013 al\u00e9m de suas fun\u00e7\u00f5es de radialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1964, aos 33 anos, alcan\u00e7ou um n\u00edvel de fama que tornou Carlos Said um nome conhecido em quase todos os lares, n\u00e3o apenas em Teresina, mas em todo o estado do Piau\u00ed. Mas como muitas vezes acontece na vida, num s\u00f3 momento tudo virou de cabe\u00e7a para baixo. No dia 2 de mar\u00e7o daquele ano, enquanto se deslocava na van da R\u00e1dio Pioneira para cobrir um grave acidente, ele pr\u00f3prio se envolveu em um acidente. Seus ferimentos foram t\u00e3o graves que ele recebeu a \u00faltima cerim\u00f4nia [extrema un\u00e7\u00e3o] depois que os m\u00e9dicos disseram que havia poucas chances de ele ser salvo. Seus f\u00e3s fizeram vig\u00edlia fora do hospital e de sua casa, presumindo que ele havia morrido. Espalhou-se a not\u00edcia de que Carlos Said, embora gravemente ferido, de alguma forma fez uma reportagem ao vivo do local do acidente, durante a qual disse: \u201cAcabei de sofrer um acidente a caminho de um fato, para relatar um acidente. Estou quase morto. Mas a Pioneira n\u00e3o para!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A lenda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Refletindo, Carlos Said diz n\u00e3o ter lembran\u00e7a do acidente ou da suposta transmiss\u00e3o ao vivo. Mas o resultado \u00e9 claro: \u201cFoi a\u00ed que come\u00e7ou a lenda de Carlos Said\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De alguma forma, ele sobreviveu, mas permaneceu hospitalizado por um ano. Os f\u00e3s que compareceram para visit\u00e1-lo ficaram horrorizados ao ver seu corpo quebrado. Um deles disse, alto o suficiente para que outros ouvissem: \u201cSe aquele homem voltar a andar, ser\u00e1 o Magro de A\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltar a caminhar, ele logo conseguiu. A lenda cresceu. E o apelido dado a ele pelo torcedor desconhecido pegou. Da sua cama de hospital, no quarto 76, Carlos Said abriu uma esp\u00e9cie de escrit\u00f3rio. Um de seus jornais entregou uma m\u00e1quina de escrever. Ele escrevia 33 linhas por dia para uma coluna chamada 33 Linhas. A R\u00e1dio Pioneira dotou-o de equipamento de radiodifus\u00e3o. Ele monitorou eventos de futebol por r\u00e1dio e fez reportagens ao vivo. Se n\u00e3o bastasse, escreveu um livro sobre a hist\u00f3ria do futebol no Piau\u00ed. Seus amigos de futebol lotaram seu quarto para conversar sobre neg\u00f3cios profissionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, no meio de um jogo importante, houve uma disputa entre os \u00e1rbitros por causa de uma regra. O jogo foi interrompido. Foi feita uma chamada para o hospital: Carlos Said foi convidado a intervir. Com um conhecimento enciclop\u00e9dico das regras do jogo, resolveu a quest\u00e3o e o jogo recome\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando finalmente saiu mancando do hospital \u2013 com a perna direita cinco cent\u00edmetros mais curta que a esquerda \u2013 Carlos Said sabia que seus dias de jogador de futebol haviam acabado. Mas a sua carreira, bem como a sua personalidade p\u00fablica no seu estado natal, subiram para a estratosfera.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os anos de Gl\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando os her\u00f3is retornam dos mortos, eles s\u00e3o tratados com um n\u00edvel de admira\u00e7\u00e3o e respeito que meros mortais n\u00e3o conseguem imaginar. Em todos os lugares que frequentava, Carlos Said tinha um p\u00fablico admirador lhe esperando. Embora gostasse da aten\u00e7\u00e3o, o que ele realmente queria era voltar \u00e0 sua vida normal. Eventualmente, foi o que ele fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que era normal para alguns n\u00e3o era nada para Carlos Said. Ele dava aulas de hist\u00f3ria pela manh\u00e3. Passava as tardes na R\u00e1dio Pioneira e escrevia para diversos jornais. Depois do trabalho, ele se encontrava com seus muitos amigos para jantar e se divertir em um cabar\u00e9 local \u2013 uma tradi\u00e7\u00e3o brasileira de antigamente. Ele chegava em casa tarde da noite. Rochelane estava acordada. Seus cinco filhos \u2013 duas meninas e tr\u00eas meninos \u2013 estavam dormindo. As manh\u00e3s de domingo eram para a fam\u00edlia. Nas tardes de domingo transmitia partidas de futebol com seu sempre presente companheiro D\u00eddimo de Castro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O homem e o mito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os anos passaram. A fama de Carlos Said cresceu. A quest\u00e3o do homem versus mito tamb\u00e9m continuou. Um dia, em uma partida de futebol fora de casa, os torcedores do time da casa brigaram com os torcedores de Teresina, que estavam em consider\u00e1vel desvantagem num\u00e9rica. A briga se espalhou para fora do est\u00e1dio e estava prestes a se tornar violenta. De repente, uma figura solit\u00e1ria emergiu da multid\u00e3o de Teresina. Carlos Said, descendo da cabine de transmiss\u00e3o, assumiu postura de combate e, supostamente, teria dito: \u201cMeu nome \u00e9 Carlos Said. Eu sou o Magro de A\u00e7o. Voc\u00eas v\u00e3o ter que passar por mim para chegar at\u00e9 meus amigos\u201d. Em poucos minutos, a confus\u00e3o se dissipou.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunto a Carlos Said: \u201cIsso \u00e9 verdade?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sorri e diz: \u201cComo eu disse antes, o que \u00e9 fato e o que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma confus\u00e3o para mim agora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 1980, um \u00fanico acontecimento inquestion\u00e1vel ocorreu sem aviso pr\u00e9vio: a voz de Carlos Said desapareceu. Ele n\u00e3o conseguia pronunciar uma \u00fanica palavra discern\u00edvel. Os anos de conversa ininterrupta cobraram seu pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPerdi minha arma mais importante\u201d, lembra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Angustiado, ele se afastou da emissora de r\u00e1dio e da faculdade onde lecionava. Ele escreveu notas para se comunicar com amigos e familiares. Com o tempo extra aumentou seu trabalho jornal\u00edstico, focando em mat\u00e9rias hist\u00f3ricas, pelas quais nutria muito gosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco de leveza voltou em 1987, quando uma das escolas de samba locais, Samb\u00e3o, produziu seu samba-enredo para a celebra\u00e7\u00e3o anual do Carnaval tendo como tema a vida de Carlos Said. Ele foi o destaque dos dois dias de desfile&nbsp; e Samb\u00e3o conquistou o primeiro lugar na competi\u00e7\u00e3o com outras escolas de samba.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua incapacidade de falar n\u00e3o diminuiu a import\u00e2ncia do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi magn\u00edfico\u201d, diz ele. \u201cO evento n\u00famero um da minha vida. Onde quer que eu fosse, ouvia a m\u00fasica sendo tocada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Demorou dois anos, mas sua voz finalmente voltou \u2013 embora em uma vers\u00e3o menos potente do que a original. Mesmo assim, Carlos Said retomou as fun\u00e7\u00f5es de comentarista, tanto na esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio como na cabine do est\u00e1dio com D\u00eddimo, e tamb\u00e9m voltou a lecionar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi\u201d, diz ele, \u201cuma felicidade inacredit\u00e1vel. Meus f\u00e3s ficaram maravilhados ao ouvir minha voz novamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Said hoje.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos conversando h\u00e1 mais de uma hora. Em vez de cansado, como seria de esperar de um homem da sua idade, Carlos Said parece mais energizado do que quando come\u00e7amos. Recapitular uma vida rica e variada pode fazer isso com uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele deixou de lecionar em 1992 e encerrou a carreira jornal\u00edstica no final dos anos 90. Permaneceu na R\u00e1dio Pioneira fazendo reportagens di\u00e1rias e cobrindo jogos de futebol aos domingos at\u00e9 2020, encerrando uma carreira de 75 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele diz que sente falta da doc\u00eancia, a mais gratificante de suas profiss\u00f5es pela quantidade de alunos que impactou, mas n\u00e3o do resto. F\u00e3s e amigos passam por aqui de vez em quando para conversar sobre esportes ou se encontrar para almo\u00e7ar. Ele tem uma fam\u00edlia grande e unida que inclui netos e bisnetos. \u00c0s vezes eles se re\u00fanem para as refei\u00e7\u00f5es de domingo. Sua filha mais velha, Soraya, mora com ele [corre\u00e7\u00e3o: Rochele mora com ele], atendendo suas necessidades. Ele aprecia muito a presen\u00e7a dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia t\u00edpico? \u201cEu ou\u00e7o r\u00e1dio. Assisto TV. Leio um pouco. Como demais. E durmo muito bem\u201d, diz Carlos Said.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de sa\u00fade, ele est\u00e1 em boa forma, mas precisa de uma bengala para se locomover. O aperto de m\u00e3o do <em>Magro de A\u00e7o<\/em> \u00e9 firme, revelando uma for\u00e7a surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua fama parece segura. Seu filho, Gustavo, professor de jornalismo e m\u00eddia na mesma universidade onde Carlos Said tamb\u00e9m lecionava, publicou dois livros sobre o pai \u2013 um \u00e9 uma biografia e outro \u00e9 um relato ilustrado do acidente e de sua recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, sua imagem apareceu em <em>outdoors<\/em> por toda a cidade, seu lend\u00e1rio apelido em letras fortes e brilhantes. Um gin\u00e1sio adorna seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio deste ano, uma trupe de teatro local apresentou uma pe\u00e7a cobrindo sua carreira. Ao final, o ator principal encontrou Carlos Said na plateia. \u201cEstou honrado por ter representado voc\u00ea\u201d, disse ele. Carlos brincou e disse: \u201cFiquei feliz por ser mais jovem por um dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao recapitular o acontecimento para mim, ele foi mais s\u00e9rio. \u201cN\u00e3o h\u00e1 palavras para descrever minhas emo\u00e7\u00f5es dessa experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pergunto se ele tem algum arrependimento. Imediatamente, ele chora e come\u00e7a a falar sobre sua falecida esposa, Rochelane, que morreu de um ataque card\u00edaco em 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla era tudo para mim. Eu estava ausente o tempo todo, mas ela estava sempre l\u00e1, esperando por mim. Ela acreditou em mim. Ela me encorajou e apoiou quando ningu\u00e9m acreditava que eu pudesse ser um bom jornalista. Ela me disse: \u2018Fa\u00e7a isso. \u00c9 o seu sonho. Eu cuido&nbsp; dos filhos.\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com as emo\u00e7\u00f5es sob controle, Carlos Said diz que n\u00e3o se arrepende de sua carreira. \u201cTenho \u00f3timas lembran\u00e7as da minha vida. Valeu a pena. E eu faria tudo de novo, se pudesse, da mesma forma.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pergunto: \u201co que seu pai diria se tivesse vivido para ver seu sucesso?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Isso evoca uma grande risada de Carlos Said.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle definitivamente continuaria dizendo: \u2018Pare de jogar futebol!\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(<em>Nota do editor: Primeira de uma s\u00e9rie de uma viagem de reportagem ao Brasil de 21 a 27 de outubro de 2023<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto original dispon\u00edvel em:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.theroadboomer.com\/articles\/current\/the-thin-man-of-steel\">https:\/\/www.theroadboomer.com\/articles\/current\/the-thin-man-of-steel<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1004\" srcset=\"https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-300x169.jpg 300w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-768x432.jpg 768w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-133x75.jpg 133w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2-480x270.jpg 480w, https:\/\/zozimotavares.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Carlos-Said2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width:767px) 480px, (max-width:1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Lan\u00e7amento do livro &#8220;A Hist\u00f3ria em Quadrinhos do Magro da A\u00e7o&#8221;, na Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da UFPI, em 2022.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista norte-americano George Tanber escreveu e publicou nos Estados Unidos uma reportagem especial sobre o jornalista e professor Carlos Said, o Magro de A\u00e7o. 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